ENTREVISTA: Unidade de Pesquisa Clínica da Machava Reforça Estudos em Tuberculose

A Tuberculose (TB) constitui um problema de saúde a nível global. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2015 houve 10.4 milhões novos casos de TB. Em Moçambique, a taxa de incidência (novos casos) foi estimada em 551/100 000 habitantes em 2015
Neste contexto, a equipa de comunicação do Instituto Nacional de Saúde (INS) deslocou-se ao Hospital Geral da Machava (HGM), município da Matola, para entender o funcionamento da Unidade de Pesquisa de Clínica instalada no local. A equipa conduziu uma entrevista com o médico Celso Khosa (CK), Coordenador do Programa de Pesquisa em Tuberculose afecto no Centro de Investigação e Treino em Saúde da Polana Caniço (CISPOC) do INS.

Como é que surge a Unidade de Pesquisa Clínica do Hospital Geral da Machava?
CK: A Unidade de Pesquisa Clínica surge da colaboração entre o INS e a Agência Francesa de Pesquisa (ANRS), no âmbito de um convite formulado ao INS para fazer parte de um estudo multicêntrico, designado Reflate TB 2 do qual participam, para além de Moçambique, mais quatro países, nomeadamente: França, Brasil, Costa de Marfim e Vietname.
Com este estudo, pretendemos expandir as nossas actividades de pesquisa da cidade para a província de Maputo e achamos que o HGM é o local ideal para estabelecer mais uma unidade de pesquisa, isso porque este é o hospital nacional de referência para casos de tuberculose. Pensamos, portanto, que esta colaboração com o hospital seria uma mais-valia mútua.
Importa referir que o HGM, quando chegámos há dois anos, tinha capacidade de pesquisa limitada. A instalação da unidade de pesquisa permite ao HGM incrementar a sua capacidade de desenvolver pesquisa sobre a tuberculose e comorbidades. Por outro lado, nós como unidade de pesquisa podemos assimilar a experiência do hospital na componente de gestão de pacientes com tuberculose complicada. Trata-se, pois, de uma cooperação com ganhos mútuos.

Quais são as pesquisas que estão em curso na Unidade de Pesquisa Clínica?
CK: Actualmente, temos apenas um projecto em curso que é o Reflate TB 2. Trata-se de um estudo que iniciou em Março de 2016 e tem a previsão de término para o primeiro trimestre de 2019. No próximo trimestre temos previsto o início de mais um estudo designado Sequelas de Tuberculose em colaboração com a Universidade de Munique. Somos agora parte do Pan-African Consortium for the Evaluation of Antituberculosis Antibiotics (PanACEA) e em 2019 somos um dos locais que vai recrutar pacientes para um estudo deste Consórcio.

Quem são os financiadores das pesquisas levadas a cabo pela Unidade de Pesquisa da Tuberculose?
CK: A construção da Unidade de Pesquisa de Tuberculose foi financiada pela ANRS que é igualmente o financiador do estudo Reflate TB. O estudo Sequela de Tuberculose é financiado pelo governo alemão através do Ministério Federal da Educação e Pesquisa e o estudo do consórcio panaCEA TB é financiado pelo European & Developing Countries Clinical Trials Partnership (EDCP).

Qual é a capacidade de atendimento da Unidade de Pesquisa?
CK: O estudo que está em curso tem a previsão de inclusão e seguimento de 120 participantes. As visitas são agendadas de modo a permitir o menor tempo de espera possível.

Qual é a visão estratégica a médio e longo prazos?
CK: A visão estratégica a médio e longo prazos é ser um centro de excelência na implementação, coordenação e promoção da pesquisa em tuberculose e outras patologias infecciosas.

Qual é o ganho verificado até então com a instalação desta unidade de pesquisa? 
CK: Nesta colaboração tanto o INS, quanto o HGM saem a ganhar. Pretendemos estabelecer uma unidade cardiopulmonar capaz de fazer exames especializados como o eletrocardiograma, espirometria, etc. Estes exames vão beneficiar aos pacientes internados.

Pensa-se em expandir a Unidade de Pesquisa da Tuberculose para outros locais?
CK: Actualmente, temos capacidade de pesquisa instalada na cidade e províncias de Maputo. Trabalhamos em colaboração com os centros de saúde periféricos que ajudam no recrutamento e referenciamento de pacientes. É importante percebermos que a nossa participação nestas pesquisas permite-nos dar o nosso contributo científico no desenvolvimento de novos diagnósticos e tratamentos avaliados na população local.

Como está organizada a infra-estruturas da Unidade de Pesquisa da Tuberculose?
CK: A Unidade de Pesquisa Clínica conta com seis salas, das quais duas são gabinetes médicos, uma farmácia, um laboratório, uma sala de equipa e administração.